domingo, 4 de julho de 2010

Foi sobretudo C.G.Jung quem, nos tempos modernos de nossa cultura, ocupou-se com as mandalas e descobriu que elas surgem como imagens interiores espontâneas, particularmente em situações críticas de caos interior; e são, por assim dizer, uma tendência auto-curativa da alma, como por exemplo, em casos de psicoses e eclosões agudas de neuroses. Por isso ele ressalta o fato de que o estilo gótico, com as suas rosáceas, tenha aparecido numa época de profundo caos exterior; basta apenas pensar nas Cruzadas e na inquisição. Não seria, pois, surpreendente que, ao lado das experiências de cura no homem ( microcosmo ), estas também existissem para a cultura ou até mesmo para o mundo ( macrocosmo ). Na realidade, segundo a máxima de Hermes Trismegisto ( assim em cima como embaixo ), estamos à espera dessa concordância entre microcosmo e macrocosmo. Desse modo, o enorme interesse pelas mandalas observado atualmente, e seu crescente aparescimento na arte e nos exercícios de meditação, ganhariam um sentido. Porque, sem dúvida, estamos vivendo hoje novamente uma época que se perde cada vez mais nas aparências e deixa insatisfeita a alma dos homens. A crescente unilateralidade do nosso pensamento, expressa bem essa situação. É claro que o n osso cérebro foi feito para pensar e, por isso, deveríamos ser capazes de reconhecer que o nosso problema está nele.
Ao longo do tempo, aprendemos a nos orientar através do labirinto nervoso do nosso cérebro. Contudo, ao fazê-lo, limitamo-nos quase exclusivamente a uma única metade, isto é, à esquerda, e desse modo nos tornamos unilaterais. É a metade esquerda que analisa, e diferencia, que sabe escrever, ler, calcular, domina, em geral, todas as funções do raciocínio e governa o lado direito do corpo ( porque na medula, as vias nervosas se cruzam ). O hemisfério direito do cérebro, ao contrário, é responsável pela compreensão unitária do mundo, por todas as coisas artísticas, pelos sentimentos, pela percepção de cores, aromas e vibrações e pelo lado esquerdo do corpo. A ele se agrega o feminino, o lunar; ele corresponde ao escuro yin, ao negativo e ao magnético, em oposição ao positivo, elétrico,masculino e luminoso yang do símbolo T'ai Chi. ( Texto extraido do livro Mandalas - Rüdiger Dahlke )

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